PORTARIA MTE Nº 203 DE 05 DE FEVEREIRO DE 2026
DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO
Publicado em: 06/02/2026
Edição: 26
Seção: 1
Página: 125
Órgão: Ministério do Trabalho e Emprego/Gabinete do Ministro
PORTARIA MTE Nº 203, DE 05 DE FEVEREIRO DE 2026
Prorroga o prazo de início de vigência parcial do item 18.10.1.13 da Norma Regulamentadora Nº 18 - Condições de Segurança e Saúde no Trabalho na Indústria da Construção, aprovada pela Portaria SEPRT nº3.733, de 10 de fevereiro de 2020, para os tipos de máquinas autopropelidas que indica.
O MINISTRO DO TRABALHO E EMPREGO, no uso da atribuição que lhe confere o inciso II do parágrafo único do art. 87 da Constituição, e tendo em vista o disposto no art. 46 caput, inciso VI, da Lei nº 14.600, de 19 de junho de 2023, no art. 1º, caput, inciso VI, Anexo I, do Decreto 12.764, de 28 de novembro de 2025, e no Processo nº19966.10043/2020-66, resolve:
Art. 1º Prorrogar, até 11 de fevereiro de 2027, o início da vigência da obrigatoriedade de cabine climatizada, prevista no item 18.10.1.13 da Norma Regulamentadora Nº 18 - Condições de Segurança e Saúde no Trabalho na Indústria da Construção, aprovada pela Portaria SEPRT nº3.733, de 10 de fevereiro de 2020, em máquinas autopropelidas novas, tipo pavimentadoras, alimentadores móveis para asfalto, fresadoras para pavimento e máquinas de textura e cura de concreto.
Art. 2º Esta Portaria entre em vigor na data de sua publicação.
Luiz Marinho
FATORES DE RISCOS EM TAREFAS REPETITIVAS
Os
transtornos musculoesqueléticos de origem laboral são alterações que afetam as
estruturas corporais, como músculos, articulações ou tendões, causadas ou
agravadas fundamentalmente pelo trabalho pelos efeitos do ambiente laboral
imediato (EU-OSHA).
Estes
transtornos podem afetar a capacidade laboral do colaborador, sendo uma das
principais causas de incapacidade e afastamento.
Os
fatores de risco que determinam o aparecimento e desenvolvimento de um
transtorno musculoesquelético quando se realizam tarefas repetitivas incluem não
somente os movimentos dos segmentos corporais, mas também a frequência e a
duração das ações, as posturas adotadas e a força aplicada durante a tarefa.
Além
disso, devem ser levados em conta os fatores de risco relacionados com a
organização do trabalho e os fatores ambientais associados com a temperatura, a
umidade, o ruído, as vibrações ou a iluminação do posto de trabalho.
Os
fatores de risco que podem dar origem aos transtornos musculoesqueléticos são,
de forma não exaustiva, os seguintes:
1)
Fatores físicos ou biomecânicos: movimentos repetitivos, adoção de posturas
forçadas ou sustentadas, exercícios de força, recuperação insuficiente após o
esforço.
2)
Fatores psicossociais (relacionados com a organização do trabalho, execução de
tarefas, relações sociais e contexto laboral): altas exigências de trabalho e a
baixa autonomia, falta de descanso ou de oportunidades para mudança postural no
trabalho; trabalho rápido, jornadas extensas ou trabalhos em turnos, formação
ou capacitação inadequada, intimidação, assédio ou discriminação no trabalho,
baixa satisfação com o trabalho.
3)
Fatores ambientais e complementares: ambientes frios ou extremamente quentes,
vibrações, baixo nível de iluminamento, utilização inadequada de Equipamentos
de Proteção Individual.
4)
Fatores individuais: idade, sexo, características antropométricas, condições
físicas, hábitos pouco saudáveis, fatores genéticos predisponentes e patologias
prévias.
É
importante destacar que é a combinação de diversos fatores de risco que se
associa à aparição ou desenvolvimento dos transtornos musculoesqueléticos e nem
tanto a presença isolada de alguns poucos fatores.
Portanto,
a avaliação de riscos das tarefas com execução de movimentos repetitivos deverá
contemplar todos os grupos de fatores presentes.
Devido
à combinação de fatores de risco e pelo fato de que o aparecimento ou
agravamento dos transtornos músculo esqueléticos se produzem com o tempo, a
identificação e avaliação do risco de sofrer de um transtorno músculo
esquelético é um processo complexo.
A ASMA OCUPACIONAL
A asma ocupacional é definida
como uma doença inflamatória crônica da via aérea, caracterizada por um quadro
de obstrução brônquica reversível ao fluxo aéreo associado a uma reação
brônquica, provocado pela exposição a poeiras, vapores, gases ou fumos
presentes no ambiente laboral.
Além da asma ocupacional, existe
a asma agravada pelo trabalho que faz referência a pacientes diagnosticados de
asma, cuja quadro clínico se exacerba por exposições ocupacionais.
É considerada a doença
respiratória mais frequente de origem ocupacional nos países desenvolvidos.
Estima-se que aproximadamente 15% dos casos de asma que se iniciam no adulto
podem ser de origem ocupacional.
Um diagnóstico correto e uma
gestão antecipada são os pontos chave para o prognóstico da doença e suas
consequências sócio econômicas.
A repercussão destas atuações não
só afeta a pessoa envolvida, mas a modificação das condições de trabalho e de
outras áreas de trabalho similares podem evitar muitos outros casos.
A asma ocupacional induzida por
irritantes ou síndrome de disfunção reativa das vias aéreas, costuma constituir
um acidente no ambiente de trabalho e em lugares fechados ou mal ventilados,
onde se inalam produtos irritantes a altas concentrações em forma de gases,
fumos ou vapores.
Classificação da asma
ocupacional:
Asma imunológica ou por hipersensibilidade:
requer um tempo para que se produza a sensibilização ao agente causal e,
portanto, existe um período de latência entre a exposição e o aparecimento dos
sintomas.
De acordo com o tipo de
substâncias que a causem, se distinguem:
Asma imunológica causada por
substâncias de alto peso molecular – habitualmente é transcendental a
intervenção de um mecanismo imunológico mediado por imunoglobulina (IgE).
Asma imunológica causada por
substâncias de baixo peso molecular – em geral não intervém de modo patente num
mecanismo imunológico.
Asma não imunológica ou por
irritantes: é aquela causada por um mecanismo irritante ou tóxico. Há dois
tipos:
Síndrome de disfunção reativa das
vias aéreas – causada por exposição única ou múltipla a altas doses de um
irritante. Seu início, no entanto, se relaciona a uma única exposição. Se
denomina também de asma sem período de latência, já que os sintomas não
aparecem antes de 24 horas da exposição.
Asma causada por doses baixas de
irritantes – é desencadeada depois de repetidos contatos com doses baixas do
agente causal.
Outras variantes de asma:
Síndromes asmáticas – devidas à exposição
a poeiras vegetais (grãos, algodão e outras fibras têxteis) e também a poeira
de animais confinados.
Asma dos produtores de alumínio.
MURO DE ARRIMO
- Definição técnica: Estrutura de contenção projetada para
resistir aos esforços horizontais do solo (empuxo de terra), da água
(pressão hidrostática) e de sobrecargas externas.
- Função principal: Estabilizar taludes naturais ou artificiais
(cortes e aterros), impedindo o movimento de terra e prevenindo
deslizamentos.
- Aplicações:
- Obras urbanas em terrenos
inclinados.
- Rodovias e ferrovias em
áreas de corte ou aterro.
- Proteção de edificações
próximas a encostas.
- Exemplos de tipos:
- Gravidade (peso próprio resiste ao empuxo).
- Concreto armado (suporta grandes esforços).
- Gabião (pedras em gaiolas metálicas, com boa drenagem).
Muro de Contenção
- Definição técnica: Estrutura de apoio utilizada para conter o
solo e evitar deslizamentos, geralmente em locais com diferença de níveis,
como encostas e terrenos inclinados.
- Função principal: Segurar o peso da terra e estabilizar a
pressão lateral, reduzindo o risco de desmoronamento.
- Abrangência:
- O termo “muro de contenção”
é mais genérico e pode incluir muros de arrimo, cortinas
atirantadas, paredes diafragma e outras soluções de contenção.
- É usado como sinônimo de
muro de arrimo em muitos contextos, mas tecnicamente pode englobar
diferentes sistemas.
Comparação Técnica
|
Aspecto |
Muro de Arrimo |
Muro de Contenção |
|
Definição |
Estrutura de contenção voltada para
estabilizar taludes e encostas |
Estrutura genérica par conter solo ou rocha
em desníveis |
|
Função |
Resistir ao empuxo do solo e da água,
evitando deslizamentos |
Segurar massas de terra e evitar
desmoronamentos |
|
Abrangência |
Tipo específico de muro de contenção |
Termo mais amplo, inclui muros de arrimo e
outras soluções |
|
Aplicações |
Taludes naturais ou artificiais, obras
urbanas e rodoviárias |
Qualquer situação com diferença de nível e
risco de instabilidade |
Pontos Importantes
- Todo muro de arrimo é um muro de contenção, mas nem todo muro de contenção é um muro de
arrimo.
- A escolha entre diferentes tipos depende de
fatores como altura do desnível, tipo de solo, presença de água e custo
da obra.
- Drenagem é essencial em ambos os casos para evitar falhas estruturais.
Tipos de Muros de Arrimo (Resumo)
|
Tipo de Muro |
Características |
Aplicações |
|
Gravidade |
Usa o peso próprio para conter o solo |
Obras simples, terrenos pequenos |
|
Concreto Armado |
Estrutura reforçada, suporta grandes
esforços |
Edificações, vias públicas |
|
Gabião |
Estrutura de pedras em gaiolas metálicas |
Áreas sujeitas à erosão, drenagem eficiente |
Pontos Importantes a Considerar
- Estabilidade: O cálculo estrutural deve considerar empuxo do solo e da água.
- Drenagem: Essencial para evitar pressão hidrostática e falhas estruturais.
- Custo x Viabilidade: Muros de gabião são mais baratos e
sustentáveis, enquanto os de concreto armado oferecem maior resistência.
- Segurança: Projetos mal executados podem causar deslizamentos e acidentes
graves.
Comparativo de Vantagens dos Tipos de Muro de Arrimo
|
Tipo de Muro |
Vantagens |
Desvantagens |
|
Muro de Gravidade (alvenaria ou pedra) |
Simples execução, baixo custo inicial, boa
estabilidade em terrenos pequenos |
Ocupa mais espaço, não indicado para grandes
alturas |
|
Muro de Concreto Armado |
Alta resistência, suporta grandes esforços,
indicado para áreas urbanas e obras pública |
Custo elevado, exige mão de obra
especializada e projeto estrutural |
|
Muro de Gabião (pedras em gaiolas metálicas) |
Econômico, sustentável, excelente drenagem,
flexível em terrenos irregulares |
Estética rústica, manutenção periódica da
malha metálica |
|
Muro de Solo Reforçado
(geogrelhas/geotêxteis) |
Boa integração paisagística, custo
intermediário, flexível para grandes áreas |
Exige projeto técnico detalhado, menos comum
em obras residenciais |
Fatores que Influenciam o Custo Final
- Altura do muro: quanto maior, mais caro (exige reforço
estrutural).
- Tipo de solo: solos argilosos ou instáveis demandam soluções mais robustas.
- Drenagem: sistemas de tubos e brita aumentam custo, mas são indispensáveis.
- Mão de obra: muros de concreto armado exigem engenheiro e equipe
especializada.
Recomendações Práticas
- Terrenos residenciais pequenos → Muro de gravidade ou gabião (baixo custo e
execução rápida).
- Obras urbanas ou rodoviárias → Concreto armado (maior segurança e
durabilidade).
- Projetos sustentáveis ou áreas com drenagem
crítica →
Gabião ou solo reforçado.






