Efeitos auditivos do ruído:
O efeito mais conhecido
e preocupante da exposição ao ruído é a perda da capacidade auditiva.
Este efeito depende fundamentalmente
do nível de pressão sonora e do tempo de exposição.
É importante recordar
que a hipoacusia produzida por exposição ao ruído pode ser de dois tipos: de
condução e de percepção ou neurológica.
A perda condutiva deve-se
à ruptura do tímpano ou a um deslocamento dos ossos do ouvido médio.
Se origina por uma onda
sonora de energia elevada, como, por exemplo, uma explosão.
A exposição prolongada
ao ruído pode produzir uma perda auditiva por lesão neural nas células do órgão
de Corti, originando-se uma lesão que pode se converter em um processo
irreversível e permanente.
Efeitos extra auditivos
do ruído:
O ruído não somente
afeta o ouvido, pode produzir lesão em outros órgãos, ocasionando uma série de
efeitos extra auditivos.
A prevenção desses
efeitos está no âmbito de atuação da ergonomia.
Efeitos psicológicos:
Os efeitos psicológicos
são subjetivos e, portanto, difíceis de quantificar.
O efeito psicológico
mais conhecido que o ruído produz é a sensação de descontentamento e mal-estar.
É muito difícil
estabelecer valores a partir dos quais se produzem sensações de mal-estar, já
que cada pessoa percebe o ruído de uma maneira diferente.
Por exemplo, um mesmo ambiente
acústico pode ser incômodo para uma pessoa e não para outra.
Esta situação dificulta
o estudo objetivo do problema.
A avaliação dos aspectos
relacionados com a produção do ruído (frequência e intensidade) são simples de
determinar, no entanto, outros tipos de fatores podem influenciar
substancialmente, como o contexto psicossocial, a atitude pessoal para com a
fonte de ruído, a atividade, a tarefa, etc., são muito mais complicados de
avaliar objetivamente.
Efeitos comportamentais:
No âmbito laboral, os
efeitos mais estudados do ruído sobre o comportamento foram os que afetam o
rendimento e o comportamento social, especialmente a comunicação.
Efeitos sobre o
rendimento:
Os efeitos do ruído
sobre o rendimento (entendido como a eficácia do trabalhador na realização de
seu trabalho) são complexos e afetam de maneira distinta as diferentes
atividades, dependendo de fatores como as características do ruído
(intensidade, frequência, tipo, significado, etc.), a possibilidade de previsão
e controle do mesmo, natureza e exigências da tarefa, duração, variáveis
pisocofisiológicas pessoais (sensibilidade, estado funcional, motivação, etc.)
e a presença de outros fatores ambientais nocivos.
Não há efeitos
claramente definidos do ruído sobre o rendimento da tarefa.
Um mesmo tipo de ruído
pode diminuir a concentração e alguns casos ou ser estimulante em outros.
Em tarefas que requerem
um nível de concentração elevado, introduzir um ruído pode afetar
negativamente, enquanto que esse mesmo ruído presente em tarefas monótonas ou
repetitivas pode ser estimulante.
Em geral, pode-se
observar que o ruído quase sempre é incômodo para o trabalho e que as
atividades que demandam um esforço de atenção maior e mais sustentado no tempo
são mais sensíveis ao ruído.
Efeitos sobre o
comportamento social:
Efeitos psicossociais: a
mesa presença do ruído por si só e independentemente de suas características,
provoca um conjunto de sensações desagradáveis e incômodos que podem
manifestar-se no comportamento individual e social das pessoas expostas.
Se a exposição é crônica,
aumenta a irritabilidade, se manifestam tendências agressivas e se dificulta a
ajuda e colaboração da equipe.
As relações interpessoais
se tornam mais difíceis, tanto pela fadiga como pelo tempo de recuperação
auditiva depois do trabalho e pelas alterações de comportamento se podem ser
ocasionadas.
Os efeitos que se podem
produzir são: dificuldade de comunicação, perturbações do descanso,
perturbações do sono noturno, diminuição da capacidade de concentração, sensação
de mal-estar: começa a manifestar-se a partir de 35 dB(A), com limiar em 65
dB(A), segundo a OMS.
Efeitos sobre a
comunicação: o ruído pode dificultar a comunicação falada no posto de trabalho
(a compreensão das mensagens verbais), o que repercute na segurança, no
processo produtivo e nas relações pessoais e profissionais.
A dificuldade de
comunicar-se com outras pessoas durante a jornada laboral aumenta o isolamento
e torna as condições de trabalho mais penosas.
A interferência do ruído
na comunicação verbal depende dos seguintes fatores: nível de pressão sonora
(intensidade), espectro do ruído existente (frequência), tom de voz empregado,
distância entre os interlocutores, exigências de conversação da tarefa.
A comunicação em
ambientes ruidosos aumenta a carga de trabalho tanto do emissor quanto do
receptor: um deve elevar a voz e o outro deve aumentar a atenção para
compreender a mensagem.
A dificuldade de
compreensão aumenta quando o trabalhador deve prestar atenção simultaneamente
na mensagem verbal e nos sinais provenientes de outras fontes.
Efeitos sobre a
segurança:
Observa-se que em
ambientes ruidosos os trabalhos são mais perigosos que os realizados em
ambientes silenciosos, mas não se demonstra que a causa imediata seja o ruído
e, portanto, não se pode estabelecer relação causal entre o ruído e acidentes.
Em todo caso, o ruído é
um fator potencial de risco para a segurança ou, ao menos, favorecer a falha
humana, pois encobre os sons portadores de informação útil (sinais de alarme,
avisos perigosos, mensagens de advertência de perigo, etc.), interfere na
comunicação e desvia a atenção.
