AVALIAÇÃO DE RISCO EM TAREFAS DE PUXAR OU EMPURRAR

 


As tarefas de puxar e empurrar cargas são operações que podem causar riscos, em particular os dorso lombares para os trabalhadores.

 

A norma ISO 11228-2 sobre a avaliação dos riscos dorso lombares associados às tarefas de empurrar e puxar, propõe, através de tabelas de valores, os limites máximos de forças que não deveriam ser ultrapassados nestas tarefas. Ainda que a norma não especifique, tais limites coincidem com os propostos originalmente por Snook & Ciriello (1991).

 

Os valores publicados por Snook & Ciriello ao longo dos anos são expressos em quilogramas força (Kgf), ou quilolibras (Kp), unidades pertencentes ao sistema técnico de unidades. A conversão para Newton (N), unidade força do sistema internacional de unidades, é realizada através da seguinte equivalência, considerando o valor padrão da gravidade terrestre:

 

1 Kp = 1 Kg = 1 kg X 9,80665 m/s² ≈ 9,81 N

 

Snook & Ciriello foram pesquisadores do Liberty Mutual Resarch Institute for Safety, pioneiros em adotar a abordagem psicocofísica para a determinação de valores limite em tarefas de manipulação manual de cargas.

 

A abordagem pisocofísica estuda com os fatores que intervém na manipulação afetam a força exercida em função da fadiga que o trabalhador sente.

 

De forma simplificada, tais limites são obtidos através de um projeto experimental no qual o trabalhador controla o peso da carga (nas operações de levantamento, abaixamento e transporte) ou a força exercida (nas operações de puxar e empurrar), enquanto que o restante das variáveis da tarefa (frequência, tamanho, altura, distância, etc.) estão especificadas pelo próprio projeto.

 

Baseando-se em suas próprias sensações de esforço e de fadiga, o trabalhador modifica o peso manipulado ou a força exercida para que a tarefa seja tolerável.

 

A relação entre o peso real de uma carga e o peso notado não é linear, mas a sensibilidade é maior à medida que o peso diminui.

 

Por isso, na atualidade, não é factível a determinação de pesos e de forças máximas a partir de um modelo analítico e teórico, mas é necessário recorrer a dados psicofísicos empíricos.

 

As tabelas de valores limite iniciais foram publicadas em 1978, embora nem todos os valores estivessem embasados em dados experimentais, mas alguns deles foram supostos ou interpolados devido à ausência de valores empíricos.

 

Por exemplo, nem todas as combinações de frequências e distância haviam sido provadas, especialmente no caso das mulheres.

 

As tabelas publicadas em 1991 incluem dados procedentes de experimentos posteriores que complementam os valores que haviam sido supostos na versão de 1978.

 

Estas tabelas de valores limite tiveram uma grande aceitação e popularidade no âmbito ergonômico para a avaliação dos riscos associados às tarefas de manipulação manual de cargas.

 

Junto com a equação do NIOSH para levantamento e abaixamento de cargas, constitui a principal ferramenta utilizada pelos ergonomistas em países como Canadá e Estados Unidos.

 

As equações LM-MMH (Liberty Mutual Manual Material Handling) são um conjunto de 14 equações (uma para cada uma das tabelas de 1991) que englobam, tanto para a população masculina quanto para a população feminina, as tarefas de levantar, abaixar, empurrar e puxar (forças iniciais e forças de sustentação) e transportar.

 

Segundo os autores, estas equações são mais fáceis de usar que as tabelas de 1991.

 

Por outro lado, o uso destas tabelas requer realizar uma interpolação linear quando os valores de entrada não coincidem com os tabelados.

 

O uso das equações, dentro de seu âmbito de aplicação, elimina esta operação que poderia ser tediosa.

 

O formato das equações LM-MMH segue um modelo multiplicativo baseado no uso de fatores de escala que, de forma análoga à equação de NIOSH, permite determinado o efeito independente de cada uma das variáveis de entrada sobre o valor limite calculado.

 

 

 

 

 

 

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